GÊNERO: CONTO
AUTOR: MURILO VASQUES CARMINATI AMATI
Ele nasceu capricorniano. Foi um bom menino durante a sua infância, sendo como toda criança, ou seja, encontrando felicidade em tudo. Foi batizado, era bom cristão. Era sempre vívido, tinha boas relações. Vizinhos e amigos o adoravam.
O tempo passa rápido, quando a gente não pára para espiar o seu caminhar, e ele não parava para ver o tempo passar. A infância foi voando embora, chegou uma fase de sonhos e vislumbre de uma vida independente. Sempre levara uma vida pacata, sem muitos exageros, sem ânsia de viver intensamente.
No entanto, existe na vida da gente um período em que devemos conhecer um amor verdadeiro e puro, para logo depois descobrirmos que isso é pura bobagem dentro das nossas cabeças. Temos que passar pela fase da inocência para atingir uma sabedoria de saber como lidar com o amor.
Para ele não existiu tal momento e o amor de si foi desenraizado como que arrancado por uma foice, a foice do destino. Tudo dele, tudo nele, oferecia-lhe a oportunidade de ter a contemplação da vida sem o mecanismo do afeto. Para ele nunca foi difícil conceber que as pessoas, muitas vezes, se enganam, procurando dentro de outras pessoas coisas que nem mesmo em si próprias (ou em nenhum lugar do mundo) poderiam ter.
Para aquele rapaz, a vida foi dura sem deixar transparecer o golpe frio que o destino lhe aplicara. Nunca soube, mas ele nunca pôde contemplar a pureza dos mistérios amorosos, nem nunca pôde acreditar num amor de verdade, ou então conceber o altruísmo para com a pessoa amada. Nunca acreditou em doar-se por outra pessoa.
Fora um egoísta. E por toda a vida continuou sendo-o. Mas do seu egoísmo brotara sempre o mais lindo e puro altruísmo que um homem já pode sustentar. De suas atitudes vinha a égide da mais pura moral e do mais límpido bem-querer, não só para com ele ou para com a pessoa amada, mas para todo o tipo de manifestação vivente mundana.
Fez tudo o que pôde para ter uma vida equilibrada e até o fim dos dias arrastou o pesado fardo de não compreender o porquê de tantas ilusões serem desejadas por qualquer um do mundo. Teve família, viveu feliz. Como é natural, esmaeceu com o tempo. A doença chegou e lhe levou de volta ao pó do chão. Hoje, a única lembrança que resta é sua lápide, onde se pode ver escrito:
PRATICAMENTE NÃO TINHA NOME
MAS TINHA BONDADE
VIVEU VIDA SIMPLES
E MORREU SEM CONHECER O AMOR
QUE NÃO FOSSE O DE DEUS
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