GÊNERO: CRÔNICA
AUTOR: MURILO VASQUES CARMINATI AMATI
Talvez não fosse o melhor dia da minha vida. Era um dia normal. É um dia desses em que a gente se deixa estar e as preocupações não nos alcançam.
Diria até que foi um dia bom. Foi bom acordar cedo e ver a manhã, foi bom passar aquele dia. Foi bom conversar com aquela menina e se despedir com um beijo e a promessa de que ela me ama pra sempre.
Mas o destino tem equações com variáveis desconhecidas. E se nos julgamos capazes de calculá-las, ou nos enganamos ou nos tornamos loucos.
Pois foi bem na saída do clube, cerca de dez e meia da noite, quando eu abria a porta do carro, que me abordaram e pediram a carteira. Eu, como não entendia a situação e não sabendo expressar muito bem a minha ignorância sobre o momento, não soube explicar que a minha carteira estava dentro porta-luvas, fiz um movimento brusco, levei dois tiros na garganta e caí. Vi o cara correr para longe, mais desnorteado que eu. Eu compreendi que aquele era o momento de fazer alguma coisa, então pedi mentalmente para que tudo voltasse...
Foi bom conversar com aquela menina e se despedir com um beijo e a promessa de que ela me ama pra sempre. Foi bom voltar pra casa e sentir um pouco de paz, ligar o som e dormir sonhando a música que eu ouvia.
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