GÊNERO: MICRO-CONTO
AUTOR: MURILO VASQUES CARMINATI AMATI
Amanheceu o dia e o sol entrando pela janela acordou o Jão. O Jão era lavrador, era homem "bão". Aiê, Jão! Apressa que já amanheceu o dia: o Jão tem que sair pra roça, porque o Jão planta feijão.
O feijão do verão é no inverno que o Jão vai comer. E o semeio que se faz no inverno, pro verão tem que sobrar. O Jão, desde menino, aprendeu a viver da terra.
Acontece que hoje é dia de "prantá". Lá vai o Jão, o feijão, a plantadeira e a marmita no "borná". Lá chega o Jão na roça do feijão. Lá vai o Jão, sulcando o chão. Bota o feijão, tampa de terra. Espera crescer, a espera é miserável.
Mas a vida de um pé de feijão é muito difícil. O Jão é que sabe. É pouca água, é pouco esterco. É muita praga e é muito porco pra comer. E quando o feijão do Jão tava prontinho pra catar, um dia antes de colher, veio um fogaréu da mata, engoliu a roça do Jão.
Voltando da roça um mendigo atrás do Jão vinha rindo "É muita desgraça prum Jão só!". Ao que o Jão foi respondendo "E o sinhô, que tá pió?". E o mendigo emendou "Comê, eu já num como nada. Melhó que arroz sem fejão". É, Jão! Vai ter que comer arroz sem feijão.
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