Os ponteiros não se cansam. Eles dão voltas, repetem toda a trajetória e tudo isso sem medo. Eles vão sempre adiante, nunca voltam, só quando alguém os faz voltar, mas mesmo assim seguem em frente. E eles vão seguindo, em círculos e nunca ficam tontos e continuam indo.
O objetivo do relógio, penso eu, é chegar na hora certa. E ele chega. Ele chega e continua indo, para chegar às outras horas que ainda o esperam.
Mas um dia o relógio pára. Pára porque acabaram suas forças, acabou sua vontade, acabou tudo o que o levava a seguir. Rodou tanto que perdeu seu ponto de chegada e esqueceu o seu ponto de partida.
E ele só continua, quando ele encontra algo novamente que o faz continuar, rodar e rodar atrás da hora certa.
Talvez nunca ache novamente e fique parado para sempre, ou talvez ele encontre algo que o faça continuar, que demore, mas ele encontra: ele tem paciência.
O que admiro no relógio, é que independente do que o faz continuar, ele segue sem pressa e com um só motivo, chegar.
Atrasado ou não, ele chega.
Camilla Ferreira
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