Coleção de Textos

17 de nov. de 2011

Conservando

Estou disposto a desposar qualquer bela simples, singela e quieta que por mim passar blefando o seu destino e, assim que eu o fizer, lhe darei conforto e vida fácil, trato, traje pra casa e festa e de festejarmos viveremos, tantos anos, com muitos filhos, muitos pequenos; e de tantos filhos, uma netarada, que me ajudarão, brincarão na estrada de terra, porque será rural, bucólica e bela a nossa vida.

E viveremos do nosso trabalho. Não de trabalho de pouco peso, nada de fazeres citadinos, nada de restar obeso num canto de uma poltrona, enquanto perco os cabelos por preocupação que vem das coisas inventadas e dos tantos problemas que os homens se arrumam hoje para si. 

Plantarei tudo o que a terra puder me dar, e que der para meus filhos, netos e a quem mais precisar sustentar, porque nisso não vejo problema, nunca sofri do mal da alma pequena, não me complico em favorecer quem quer que seja com um pouco do meu trabalho.

E a minha casa será simples, forte, sólida e cara. Será cheia de bugigangas e parafernalhas, tudo o que a minha cabeça me deixar inventar e produzir, conforme a data de vida que Deus permitir, e tudo o que fizer quererei deixar, para cada um que passar por meu lar, como uma simples lembrança da existência de um eu, que talvez nunca mais volte a si.

E eu viverei assim, pouco me importando para o que dizem que é melhor que o meu, mas nunca deixando de querer o que eu posso ter de melhor de mim: a vida conservadora é um pouco assim, e se suspirou três vezes ao imaginar, ou se pensou em que melhor nisso poderia ser, é porque conserva também a essência em você, conservando a tradição contigo seguirá.

Um comentário:

  1. A tradição me fez ficar onde estou, e por ter ficado sou feliz.

    Lindo texto Murilo!
    Foi pela tradição que eu o li! :D

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