Coleção de Textos

3 de mar. de 2011

IDIOSSINCRASIAS

GÊNERO: CRÔNICA
AUTOR: MURILO VASQUES CARMINATI AMATI


   O Túlio, ele queria ser dentista. Mas onze anos passaram e ele não é dentista, ele é arquiteto. Mas tá bom. Nada que não passe, tudo há de passar. O Túlio vive a pensar nos tempos em que queria ser dentista, Que sonho bobo! ele diz. Mas era o que eu queria, ele pensa. 
   A Dalva, ela não gosta do nome dela e prometeu ganhar grana para trocar de nome, quando fizesse vinte e um. A Dalva ganhou grana, conseguiu dinheiro pra caramba, com a sua grife, a D'Allva. Ela não trocou de nome - seria loucura se o fizesse agora - e ela esqueceu esse sonho bobo. Dalva é até legal, se você pronunciar corretamente, pensa ela.
   Já a Helen, a Helen queria um homem grande para sua vida, daqueles com aspecto de lenhador, mas com a especificidade daqueles que estão abaixo do Trópico de Capricórnio. É o estilo que eu gosto! diz a Helen. Mas o que ela conseguiu foi um homenzinho barrigudo, um businessman da capital paulista. Um sujeitinho que até dois anos usava um bigodinho escroto. Não durou muito, porque a Helen quer o "seu estilo de homem" e pra ela não ia poder seguir assim. Bom, a Helen deu o chute no seu engravatado, trocou por um workman da construção civil. Não era completamente um pé rapado, mas não era muita coisa. Era o seu estilo. 
   A Helen não tem nada pra pensar, nem pra dizer.

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